De quem é a tarefa de educar um filho?

Publicado: 22 de junho de 2010 em Para pensar
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Na cultura hebraica aos pais é dado o pleno direito e privilégio da educação dos filhos quanto ao aprendizado e guarda das mitzvot (leis) que regeram e irão reger o povo, de uma forma participativa, diária, envolvente e viva em seus aspectos relacionais.

Estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás aos teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

Note-se que o papel dos pais como educadores envolve a participação na rotina diária na vida de seus filhos, isto é, ao acordar, ao deitar ao assentar, falava-se da importância da observância dos princípios atinentes à Lei. Não se priva o direito das crianças de brincarem, de ouvirem histórias, terem acesso à literatura, ou até mesmo aos desenhos animados. Contudo a assistência presencial, conjunta, destes pais, pode trazer uma base adequada de diálogos acerca do que se vê, aprende, assimila e pratica.

Mais uma vez o Rei Salomão destaca em seus Provérbios que uma criança entregue a si mesma virá a envergonhar a sua mãe. Expõe-se, neste trabalho, a frequência em que as crianças estão entregues à televisão, ou seja, fruto da correria da vida moderna. Porém o que substituirá o contato dos pais que contam histórias para seus filhos, que olham em seus olhos e amorosamente lhes explicam as lições e desafios da vida? Ou brincam com eles em atividades manuais, como que mergulhando em seus muitos mundos, mas demonstrando interesse genuíno?

O entretenimento televisivo deve ser encarado como tal, levando-se em conta o desprovimento de cultura e de bagagem educacional da grande maioria.

Entretanto, o desenho hoje tem ganhado a cada dia papéis virtuais e involuntários de educadores, tarefa esta primordial aos pais. Questiona-se, sim, o fato de não haver elementos que estimulam à paz, a ordem, a cultura, a ética, o bem comum, na grande maioria dos desenhos. A presença de educadores em sua criação e desenvolvimento poderia ser um facilitador na compreensão do mundo infantil e do entretenimento.

Crianças são tidas por inocentes, e a violência contra elas aterroriza a sociedade. Em um mundo sedento de paz, justiça e igualdade social, harmonia entre diferentes e na diversidade, contrapõe-se o desenho animado, que parece muito mais um fomentador destas lacunas do que um simples retrato infantil desta realidade. Que este trabalho, de alguma maneira, nos leve a algumas destas reflexões e siga seu caminho na mente dos que dele puderem depreender os exercícios da reflexão.

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