Escolhas para quem quer pensar!

Publicado: 18 de julho de 2010 em Para pensar

Se levarmos em conta o menor número de horas a que as crianças ficam expostas à televisão, citados pelas pesquisas serão 3 a 4 horas diárias, o que levará, no período de 13 anos de idade, a cerca de 13.440 horas de televisão, ou mesmo 560 dias ininterruptos, sem incluir comerciais e programas para adultos. Portanto, tomando somente estes números, talvez já justificasse a importância do estudo cuidadoso do assunto e também deste trabalho.

O desenho animado parte de uma indústria multicultural de sonhos, imagens e ilusões que podem parecer inocentes, mas, inúmeras vezes, podem ser alarmantes, especialmente se compreendermos que é um “mundo” envolto em muitas aspirações financeiras. Portanto, o olhar cuidadoso é, em certa medida, o menor sinal de cautela em uma indústria que muitas vezes compreende as crianças como cifrão ou como “mini homem consumidor”.

Animação não pode ser apenas assunto de crianças e da “indústria multicultural”, ávida por envolver e consumir as crianças, mas deve ser relevante na família e na escola. A exposição à televisão é inquestionável e, infelizmente, o assistir “desassistido” é uma realidade.  A responsabilidade é, sobretudo, dos pais, por ensinarem seus filhos, proverem o necessário para sua educação, supervisionando e conhecendo o conteúdo que é assistido. Estes cuidados são também prova de amor.

Assim, pensar o desenho animado é também pensar o cidadão em formação. É repensar, como nas palavras citadas por Pacheco,

A partir dos mitos existentes nos desenhos animados preferidos, as crianças elaboram medos e satisfazem necessidades fundamentais como: viver a magia da ficção; a importância de, ainda que magicamente, desafiam as regras que o adulto lhe impõe no seu dia a dia; a substituição do tempo métrico, que é real, pelo tempo psicológico que lhe permite libertar-se da gravidade, ficar invisível, e assim, comandar o universo por meio da sua onipotência (PACHECO, 1998, p. 34).

Portanto, é o imaginário e a subjetividade em construção.

A força e importância de uma televisão de qualidade são imprescindíveis para educandos melhor formados e cidadãos mais bem preparados. A inserção da discussão sobre TV na escola é condição para melhor conhecer o aluno e a realidade que o cerca.

A televisão está presente em quase todas as casas e é companhia de inúmeras crianças pelo mundo, embora as crianças prefiram não apenas a companhia da televisão, mas também de outro ser humano ao assistirem televisão.

Neste trabalho, reiteradamente, foi explícita a pretensão de tão somente considerar e refletir acerca do desenho animado no que tange à sua mensagem e função como recurso mediático educativo, e não julgá-lo como vilão ou mocinho.

Refletir acerca da influência que em algum grau e em alguns grupos o desenho exerce como veículo de informação, valores, tendências, ideologia diante de uma infância que se entende ter sido preservada, protegida por muito tempo, com o ensino ministrado em casa e depois por tutores. Há que se fazer referência ao trabalho de Mônica Monteiro da Costa Boruchovitch, em sua dissertação de mestrado.

Ela apresenta, no capítulo dois de sua dissertação, “Televisão e sua influência sobre a infância contemporânea”, um percurso histórico da televisão no Brasil, seguido do percurso histórico das concepções sobre infância da Idade Média até a modernidade. Na sequência, aborda a infância pós-televisão, contemplando as mudanças trazidas pela sociedade de consumo e a mídia. As novas características da infância hoje, infância com a qual se dialoga neste trabalho.

Portanto, é preciso ter em mente que as gerações de ontem são os cidadãos economicamente ativos de hoje, e as crianças de hoje os cidadãos do governo no futuro, e assim por diante. Espera-se que a atenção com as crianças, sua formação e educação, sejam alicerces para o futuro cidadão!

O desenho animado tem grande recepção por parte do público infantil (crianças) e aqueles do gênero “mangás“ têm crescente espaço entre os adolescentes no Brasil e em outros países. Por esta razão, é mister que invistamos tempo hoje na reflexão do ontem com vistas ao amanhã!

Por esta razão, concluir que este trabalhão foi mais um passo no vasto campo de compreensão da relação das crianças com a TV, das crianças com o desenho, das crianças com a sociedade e das crianças com as imagens é o grande ganho da análise feita e pautada sob o olhar crítico de Guy Debord em relação ao desenho dos Jetsons.

Pode-se ver como é possível lançar sobre o desenho animado um olhar mais “afinado” com a sociedade e como ele gera e transforma e cresce com o indivíduo marcando histórias e traduzindo a história das relações. Guy Debord já preconizava em suas teses o que se viu no desenho dos The Jetsons, uma sociedade cada vez mais imagética e de relações midiatizadas por estas imagens entre tantos outros temas abordados especialmente no capítulo quatro.

Neste esforço científico não se pode negligenciar o potencial pedagógico e a importante questão da recepção por parte dos espectadores de TV. Vale ressaltar parte do texto da SPPC, que, em seu site PsiqWeb, confere às questões referidas aqui ainda mais respaldo e relevância:

A conduta agressiva entre os pré-escolares e escolares é influenciada por fatores individuais, familiares e ambientais. Entre os fatores individuais encontramos a questão do temperamento, do sexo, da condição biológica e da condição cognitiva.

A família influi através do vínculo, do contexto interacional (das interações entre seus membros), da eventual psicopatologia e/ou desajuste dos pais e do modelo educacional doméstico. A televisão, os videogames, a escola e a situação sócio-econômica podem ser os elementos ambientais relacionados à conduta agressiva. Embora esses três fatores (individuais, familiares e ambientais) sejam inegavelmente influentes, eles não atingem todas as pessoas por igual e nem submete todos à mesma situação de risco. O que se sabe, estatisticamente, é que a agressividade manifestada em idade pré-escolar, infelizmente evolui de forma negativa.

O desenho pode ser usado de inúmeras formas e para inúmeros intentos. Basta, apenas, ter sobre ele um olhar mais atento, menos ingênuo.

Apesar de tanto tempo expostas à TV, não é possível afirmar, de maneira universal e irrefutável que as crianças são direta ou indiretamente influenciadas ou não pela TV, como já foi dito. Embora as brincadeiras e o comportamento pareçam ganhar, por vezes, uma conotação mais bélica, mais agressiva, precoce, sexualizada e, ao mesmo tempo, aparentemente insegura e vorazmente consumista, como se as crianças aprendessem ainda mais cedo que para ser é preciso ter ou, ao menos, parecer podemos relacionar a televisão, mas não responsabilizá-la indiretamente ou isoladamente.

Por esta razão, o conhecimento, o interesse, o diálogo com as crianças sobre “seus mundos, vivências e interações”, inclusive as televisivas, são necessárias à formação das crianças, seus valores e sua vida. Este é um processo contínuo, constante, mútuo e dialético.

Encerrando esta conclusão, depois da citação já feita à Mônica Monteiro da Costa Boruchovitch e a Áries, que se preocuparam na descrição da história da infância e de como a criança foi vista ao longo da história, faz aqui referência à cultura hebraica. Cultura histórica e exemplar, pois diz respeito a um povo que sobrevive pelo mundo com suas tradições e princípios mesmo em meio aos muitos anos de batalhas, opressões, massacres e ainda constantes e permanentes lutas. Por esta razão citar os princípios educacionais perpetuados na história e na tradução cultural deste povo e relevante para refletir acerca do papel da família em sociedade.

Na cultura hebraica aos pais é dado o pleno direito e privilégio da educação dos filhos quanto ao aprendizado e guarda das mitzvot (leis) que regeram e irão reger o povo, de uma forma participativa, diária, envolvente e viva em seus aspectos relacionais.

Estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás aos teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele (DEUTERONÔMIO, 6.6,7; PROVÉRBIOS 22.6).

Note-se que o papel dos pais como educadores envolve a participação na rotina diária na vida de seus filhos, isto é, ao acordar, ao deitar ao assentar, falava-se da importância da observância dos princípios atinentes à Lei. Não se priva o direito das crianças de brincarem, de ouvirem histórias, terem acesso à literatura, ou até mesmo aos desenhos animados. Contudo a assistência presencial, conjunta, destes pais, pode trazer uma base adequada de diálogos acerca do que se vê, aprende, assimila e pratica.

Mais uma vez o Rei Salomão destaca em seus Provérbios que uma criança entregue a si mesma virá a envergonhar a sua mãe. Expõe-se, neste trabalho, a frequência em que as crianças estão entregues à televisão, ou seja, fruto da correria da vida moderna. Porém o que substituirá o contato dos pais que contam histórias para seus filhos, que olham em seus olhos e amorosamente lhes explicam as lições e desafios da vida? Ou brincam com eles em atividades manuais, como que mergulhando em seus muitos mundos, mas demonstrando interesse genuíno?

O entretenimento televisivo deve ser encarado como tal, levando-se em conta o desprovimento de cultura e de bagagem educacional da grande maioria.

Entretanto, o desenho hoje tem ganhado a cada dia papéis virtuais e involuntários de educadores, tarefa esta primordial aos pais. Questiona-se, sim, o fato de não haver elementos que estimulam à paz, a ordem, a cultura, a ética, o bem comum, na grande maioria dos desenhos. A presença de educadores em sua criação e desenvolvimento poderia ser um facilitador na compreensão do mundo infantil e do entretenimento.

Crianças são tidas por inocentes, e a violência contra elas aterroriza a sociedade. Em um mundo sedento de paz, justiça e igualdade social, harmonia entre diferentes e na diversidade, contrapõe-se o desenho animado, que parece muito mais um fomentador destas lacunas do que um simples retrato infantil desta realidade. Que este trabalho, de alguma maneira, nos leve a algumas destas reflexões e siga seu caminho na mente dos que dele puderem depreender os exercícios da reflexão.

comentários
  1. Tati disse:

    Refletindo sobre o texto, temos que pensar que nossos filhos não estão imunes a essa realidade. Seria muita ingenuidade nossa acharmos que iremos conseguir protegê-los dessa má influência. Tal fato se comprova quando voltam da escola contando sobre não só desenhos, mas também músicas(como o rebolation).
    Acredito que nossa posição deve ser:
    – orarmos todos os dias pedindo ao Senhor Jesus que os proteja e principalmente conceda discernimento espiritual
    – Pregarmos a Salvação em Cristo Jesus e ensimarmos o quanto é importante frequentarmos a Igreja para vivermos em comunhão e nos alimentarmos da Palavra
    – Darmos exemplos em casa, como família: um pai que assite a filmes ou programas violentos ou de outro gênero não tem moral para dar exemplo aos filhos

    Assim, acredito que pela misericórdia do Senhor Jesus, nossas orações serão ouvidas, e, como a nossa luta será constante, até que Ele volte, temos que ser persistentesem ensinar a Palavra, vigilantes nas influências do mundo, e presentes na vida de nossos filhos, para que confiem e acreditem que aquilo que falamos, é o melhor para suas vidas.

    Que Jesus abençoe as nossas crianças,

    Um abraço,
    Tati.

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